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Setor de pilhas ainda não organizou coleta

LegislaçãoReciclagem de pilhasA cerca de 18 meses do prazo legal para coletar todas as pilhas usadas vendidas no Brasil, os principais fabricantes ainda não montaram sistemas para atender à lei e não decidiram se o destino final será a reciclagem das pilhas, criando entraves para o desenvolvimento de tecnologias nacionais de processamento e a consolidação do ciclo do produto

A tecnologia para tratar as pilhas usadas nós temos, o que não temos são grandes quantidades necessárias de matéria prima [pilhas usadas]", informou Marcelo Mansur, professor do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais (DEMET) da Universidade Federal de Minas Gerais.

A Revista Sustentabilidade apurou que existem novas tecnologias de extração e reaproveitamento dos elementos químicos das pilhas em desenvolvimento, mas falta material para testar a viabilidade econômica, o que limita o escopo das pesquisas.

Além de reduzir o potencial de desenvolvimento tecnológico, deixar a organização da coleta para o último momento, pode resultar num acúmulo do material, reduzindo a capacidade de processá-lo adequadamente após o início da coleta obrigatória das pilhas gastas.

"A questão das pilhas e baterias no Brasil exige um tratamento mais sofisticado do que jogar fora em um lixo qualquer", explicou Júlio Carlos Afonso, professor do Departamento de Química Analítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Não adianta termos tecnologias viáveis, se não tivermos a participação humana na aplicação da tecnologia".

Mesmo assim, os donos das principais marcas de pilhas comercializadas no país – Duracell, Rayovac e Panasonic –, que juntas detêm mais de 50% do mercado de pilhas, orientam os consumidores a jogar as pilhas no lixo doméstico. O volume não é pequeno, pois estima-se que um bilhão de pilhas são vendidas por ano no Brasil.

Apesar do descarte no lixo doméstico não ser ilegal enquanto as pilhas atendem os limites máximos de metais pesados – cadmio, zinco, chumbo, manganês e mercúrio -, o perigo se dá porque apenas 35% das cerca de 5000 mil cidades brasileiras tem aterros sanitários. A maioria dos municípios ainda usam lixões que carecem de controle de qualidade embiental.

Além disso, estima-se que 40% das pilhas vendidas são contrabandeadas ao país e estão fora dos padrões de segurança ambiental. Estas pilhas são em geral fabricadas na Ásia, especialmente na China, contêm concentrações de cádmio e chumbo cerca de 10 vezes superiores que a permitida pela resolução Conama 257/1998. Enquanto isso, os teores de zinco e manganês, que são os elementos ativos das pilhas, têm concentrações mais baixas que o mínimo exigido pela mesma legislação, o que reduz a vida útil do produto e aumenta o descarte e, conseqüentemente, a poluição.

Mesmo que o Conama tenha considerado seguro o descarte de pilhas nos aterros sanitários, pesquisas realizadas pelo Departamento de Química Analítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) demonstraram a corrosão e exposição da pasta eletrolítica de pilhas nacionais em apenas um dia quando a pilha foi imersa em água do mar, 30 dias quando imersa em chorume e 60 dias quando exposta à água da chuva.

"Se considerarmos que o material nem sempre é corretamente descartado, temos um problema enorme, que nem sempre é do conhecimento da sociedade", explicou Afonso da UFRJ.

Setor Reciclagem
fonte: Revista DAE
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
 
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