O destino do lixo produzido em São Paulo levou a Cetesb a incluir em
seu próximo relatório, que deve ficar pronto até março de 2009, a
relação dos municípios que "exportam" seu lixo para cidades vizinhas.
Sem programas eficazes de reciclagem, é cada vez maior a quantidade de
lixo depositada em aterros, que rapidamente atingem a capacidade
máxima.
Há ainda outra preocupação em curso: o e-lixo. A maioria dos
consumidores não sabe que destino dar a pilhas, baterias, celulares,
computadores, televisores, DVD's, CD´s, rádios, lâmpadas fluorescentes,
que podem contaminar o solo e as águas, com danos à saúde e ao meio
ambiente.
A Cetesb estima que a reciclagem poderia reduzir o lixo gerado
em cerca de 30% a 35%. Hoje, no entanto, a estimativa mais otimista é
que São Paulo consegue reciclar 5% do lixo produzido. Na capital, a
quantidade não passa de 2%.
O governo do estado oferece dois fundos para investimentos em
tecnologia de recolhimento e destinação do lixo os municípios. Osasco,
na Grande São Paulo, adotou um modelo capaz de fazer frente à
incansável reclamação dos prefeitos contra a falta de recursos:
implantou a primeira Parceria Público-Privada para coleta de lixo do
país.
O contrato prevê investimento de R$ 834,6 milhões em 30 anos e
foi aprovado pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Ministério
Público. Inclui a execução de obras para evitar o colapso do aterro
local, a compra de terreno e construção de um novo aterro público, uma
estação de tratamento de chorume (líquido proveniente do lixo),
implantação de usina de compostagem e de estação de tratamento de
efluentes.
Quinta maior cidade paulista, Osasco produz diariamente 500
toneladas de lixo domiciliar. Calcula-se que cerca de 30% são passíveis
de reciclagem, podendo gerar renda e trabalho.
Os primeiros passos estão sendo dados com a coleta seletiva e a
triagem, feita por duas cooperativas de catadores. As centrais de
triagem empregam atualmente 96 pessoas.
Responsável pela formatação do projeto de PPP, o consultor
Newton Albuquerque, da Mistral Consultoria, explica que a idéia é, no
futuro, usar os 70% restantes do lixo para produção de energia. Depois
de separados os materiais reaproveitáveis, a sobra deve ser prensada
para eliminar a água (chorume) e, em seguida, ser mantida em galpões de
secagem para ser queimada e transformada em energia. Ao retirar a água
e compactar os resíduos, o risco de contaminação e o mau cheiro
diminuem, criando condições para estocagem e queima em escala.
Com apoio do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, foi lançado
ainda um programa de educação ambiental para levar aos bairros noções
sobre preservação de recursos naturais e importância da reciclagem do
lixo. Cada bairro terá três palestras sobre o tema - "O que é Meio
Ambiente", "A problemática do lixo" e "Gestão compartilhada dos
resíduos sólidos" - e serão distribuídas cartilhas de orientação para
que os moradores separem o lixo já em suas casas e encaminhem às
centrais de triagem. A meta é que, em dois anos, a coleta seletiva
funcione em toda a cidade.
fonte: www.oglobo.com